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Qual o tratamento para cistite intersticial?

Mulher sentindo dor com as mãos na barriga
Imagem meramente ilustrativa (Banco de imagens: Shutterstock)

27 abril, 2022

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Doença é mais comum em mulheres e pode ser tratada de diversas maneiras

A cistite intersticial é uma doença crônica rara caracterizada pela dor na bexiga sem outras causas identificáveis aparentes. Por isso, é chamada também de síndrome da bexiga dolorosa.

É uma condição mais frequente em mulheres do que em homens e ocorre, principalmente, em pessoas com mais de 40 anos. Suas causas ainda não são totalmente claras. Uma hipótese para o que levaria ao surgimento do problema seria um defeito na camada de glisosaminoglicanos, que protegeria o urotélio (camada de tecidos que recobre a bexiga internamente) das substâncias na urina que irritariam a bexiga. Quando há uma falha nessa camada, a bexiga sofreria com contato direto dos dejetos urinários, levando à dor intensa para urinar, dor pélvica crônica e vontade de urinar frequentemente. Essa condição diminui a capacidade de armazenamento de urina e ocasiona os sintomas.

Na realidade, existem atualmente muitas teorias para a origem desta doença. Existem fatores genéticos e imunológicos associados, como alteração da expressão do HLA pela bexiga e aumento de produção de interleucina 6 pelos receptores.

Quais são os principais sintomas da cistite intersticial?

Os primeiros sinais que podem indicar um quadro de cistite intersticial são:

– Dor que piora quando a bexiga está cheia e melhora com esvaziamento da bexiga;

– Dor pélvica crônica;

– Urinar várias vezes ao dia e durante a noite;

– Dor para urinar;

– Dor no canal da urina sem estar com infecção bacteriana;

– Vontade urgente de urinar;

– Dor crônica na vulva e, no caso dos homens, no pênis ou nos testículos;

– Dor na parte de baixo do abdômen;

– Depressão;

– Sensação de pressão na região púbica;

– Dor durante as relações sexuais.

Esses sintomas podem ser confundidos com infecção urinária, porém na cistite intersticial não há presença de bactérias ou fungos na urocultura e não há melhora do quadro quando a doença é tratada com antibióticos. É importante lembrar que os sintomas podem ser exacerbados com ingestão de alguns alimentos com cafeína e álcool, e piora na fase lútea do ciclo menstrual.

Por se tratar de uma doença rara e de exclusão, o diagnóstico da cistite intersticial é longo e extenso.

Qual o tratamento da cistite intersticial?

A vida de quem sofre dessa doença é muito afetada em vários aspectos. Alguns estudos apontam que qualidade de vida de pessoas que convivem com síndrome da bexiga dolorosa pode ser pior que a de pacientes com câncer. Por isso, é essencial que o tratamento seja direcionado para alívio de sintomas efetivamente.

O tratamento da cistite intersticial é considerado multimodal. São realizadas uma combinação de modalidades de tratamento para otimização de resultados, podendo variar conforme as condições e os sintomas apresentados pelo paciente, podendo ser conservador ou cirúrgico. O objetivo dos tratamentos é reduzir a dor e a urgência em urinar e melhorar a qualidade de vida.

Cistite intersticial: tratamento conservador

Para qualquer paciente com cistite intersticial é recomendado realizar mudanças de hábitos de vida e adquirir um estilo de vida saudável com alimentação balanceada, atividade física constante e regular adaptada para quadro clínico, encorajando a meditar para controle de estresse e dor.

Depois, orientamos tratamentos mais específicos, como:

– Mudanças na dieta: deve-se evitar o consumo de comidas picantes, café, adoçantes, bebidas ácidas e alimentos com alto teor de potássio;

– Evitar o consumo de álcool e cigarro;

– Diário miccional para adequar ingesta de líquidos e guiar treinamento vesical;

– Fisioterapia pélvica pode auxiliar na redução de dor, orientação e melhora de vícios de posturas por conta da dor, melhora da frequência urinária;

– Suporte psicológico é recomendado para qualquer paciente com dor crônica. Desordens como depressão e transtornos de ansiedade são bastante comuns para pacientes com cistite intersticial.

Os tratamentos medicamentosos podem ser divididos em categorias para tratamento da síndrome da bexiga dolorosa.

  • Amitriptilina: essa medicação da classe dos antidepressivos triciclos é a primeira linha de tratamento medicamentoso para cistite intersticial e apresenta efeito potente analgésico na dor crônica.
  • Pentosan polissulfato: infelizmente não disponível no Brasil, essa medicação reconstitui os defeitos da camada protetora do glicosaminoglicanos no urotélio.
  • Anti-histamínicos: o uso dessa classe de medicamentos é baseado na hipótese de que em pacientes com síndrome da bexiga dolorosa a presença aumentada de mastócitos no urotélio geraria uma hipersensibilidade, resultando em sintomas vesicais. Antimuscarínicos ou agonistas dos receptores adrenérgicos do tipo beta-3 para tratamento de sintomas de urgência miccional, perdas urinárias, frequência, noctúria.
  • Outros medicamentos analgésicos são utilizados para controle de dor crônica agudizada

Caso as medicações orais e tratamentos clínicos não funcionem, seguimos o tratamento com instilação vesical e procedimentos cirúrgicos.  As medicações com aplicação intravesical são aplicações feitas diretamente na bexiga por um cateter vesical. As instilações podem conter uma combinação de medicamentos que podem incluir glicosaminoglicanos, anestésicos etc. Pode ser realizada aplicação ambulatorialmente.

Além de tudo isso, também indicamos o tratamento de comorbidades que podem piorar o quadro desses pacientes, como vulvodínea, fibromialgia e síndrome do intestino irritável.

Cistite intersticial: tratamento cirúrgico

Opções cirúrgicas para tratamento da cistite intersticial incluem:

– Aplicação de toxina botulínica: o tratamento é feito em ambiente hospitalar, com o paciente internado. O médico aplica a substância em alguns pontos da bexiga por meio do canal da uretra. A toxina paralisa o músculo da bexiga, que passará a não mais se contrair involuntariamente, fazendo com a pessoa melhore sintomas de urgência, perdas urinárias, noctúria, frequência urinária. No entanto, é importante lembrar que com essa terapia há risco de retenção urinária e necessidade de cateterismo intermitente;

– Hidrodistensão + instilação de anestésicos na bexiga: nele, o médico insere soro associado à medicação na bexiga por meio do cistoscópio. O objetivo é promover o estiramento das fibras musculares da região e analgesia. Em geral, esse procedimento é realizado quando já faríamos a cistoscopia para avaliação diagnóstica do paciente e aproveitamos para melhorar sintomas. Procedimento é realizado sob anestesia;

– Neuromodulação vesical: não é oficialmente uma modalidade comprovada de tratamento da cistite intersticial. A neuromodulação sacral é feita através de estímulos elétricos aplicados aos nervos sacrais para controle da urgência e frequência miccional em pacientes com bexiga hiperativa refratária;

– Cirurgia de ampliação vesical com derivação urinária: indicada apenas quando o paciente não respondeu a nenhum dos tratamentos disponíveis. Considerada como último recurso. Existem diversas técnicas cirúrgicas que podem ser usadas no tratamento da cistite intersticial, em casos refratários e muito sintomáticos, como ampliação vesical e derivação urinária.

Para que os resultados sejam melhores, é possível combinar tratamentos para a cistite intersticial, mas sempre com avaliação médica adequada e criteriosa.

Quando o tratamento da cistite intersticial não é feito da maneira adequada, a doença pode levar a complicações como:

– Diminuição da capacidade da bexiga;

– Piora da qualidade de vida;

– Depressão e ansiedade;

– Problemas na vida íntima.

Entre em contato com a uroginecologista Dra. Priscila Matsuoka e saiba mais sobre como lidar com a cistite intersticial.

Fonte:

Dr. Priscila Matsuoka

Cuidado integral
à saúde da mulher

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