Apesar de serem condições diferentes, podem aparecer juntas quando estão relacionadas à mesma alteração no organismo
A dor pélvica crônica e dismenorreia são sintomas comuns que muitas mulheres enfrentam em algum momento da vida. Em alguns casos, essa dor aparece de forma pontual, mas em outros pode se repetir com frequência e atrapalhar a rotina e o bem-estar.
Essas condições podem estar ligadas a diferentes alterações na região pélvica, o que ajuda a explicar por que a dor pode ser mais intensa, persistente ou difícil de entender.
Por isso, entender melhor a dor pélvica crônica e dismenorreia ajuda a reconhecer sinais importantes e a buscar avaliação adequada quando necessário.
O que é a dor pélvica crônica?
A dor pélvica crônica é uma dor localizada na região inferior do abdômen, na área da pelve logo abaixo do umbigo, que persiste por um período igual ou superior a seis meses. Essa dor pode ser contínua ou aparecer em episódios recorrentes ao longo do tempo, frequentemente descritas como cólicas, pressão, pontadas, fisgadas ou sensação de peso.
A dor pélvica crônica não está associada a uma única causa e pode envolver diferentes estruturas da região pélvica, incluindo órgãos reprodutivos como útero, ovários e tubas uterinas, além de estruturas do sistema urinário, intestinal, nervoso, vascular, muscular e ósseo.
A dor pélvica crônica causa dismenorreia?
A dismenorreia é a dor que pode surgir antes da menstruação começar, durante o fluxo ou até continuar por alguns dias depois. É um sintoma muito comum, principalmente em mulheres em idade fértil, sendo ainda mais frequente entre as mais jovens.
A dor pélvica crônica e dismenorreia não são a mesma condição mas existe uma relação direta de causa entre elas. A dismenorreia está associada ao desenvolvimento de dor pélvica crônica, funcionando como um fator de risco significativo. Mulheres com dor pélvica crônica apresentam quase 2,5 vezes mais chances de ter dismenorreia em comparação com aquelas sem dor crônica. Em um estudo de coorte com seguimento de 10 anos, mulheres menstruadas com dismenorreia apresentaram 41% maior risco de desenvolver dor crônica. ¹
A dor pélvica crônica e dismenorreia podem aparecer juntas em alguns casos. Isso acontece porque algumas condições de saúde que provocam dor pélvica crônica também podem gerar dor durante o ciclo menstrual. Assim, uma mesma paciente pode apresentar tanto dor pélvica contínua quanto cólicas menstruais mais intensas.
Endometriose, dor pélvica crônica e dismenorreia: qual a relação?
A endometriose, dor pélvica crônica e dismenorreia estão frequentemente conectadas, mas não significam a mesma coisa. A endometriose é uma doença em que um tecido semelhante ao que reveste o útero cresce fora dele, podendo atingir ovários, trompas e outras estruturas da pelve.
Um dos sintomas mais comuns da endometriose é a dismenorreia, ou seja, cólica menstrual intensa. Com o tempo, a endometriose também pode levar ao desenvolvimento de dor pélvica crônica, porque a inflamação causada pela doença pode se tornar contínua, afetando nervos, tecidos e órgãos da região.
Assim, a dismenorreia pode ser um dos primeiros sinais da doença, enquanto a dor pélvica crônica pode surgir quando o quadro se torna mais persistente ou avançado.
Como diagnosticar essas condições?
O diagnóstico da dor pélvica crônica e dismenorreia começa pela avaliação dos sintomas. A forma como a dor aparece, sua duração, intensidade e relação com o ciclo menstrual são informações essenciais para orientar a investigação. Em seguida, é feita a avaliação clínica, que inclui a anamnese e o exame físico.
De acordo com cada caso, podem ser solicitados exames complementares, como:
- ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal para visualizar órgãos da pelve, como útero e ovários, ajudando a identificar alterações estruturais;
- ressonância magnética de abdômen e pelve para avaliar tecidos e estruturas da pelve com maior precisão, sendo útil em casos mais complexos;
- cistoscopia, quando há suspeita de que a dor possa estar relacionada à bexiga, permitindo visualizar o interior do órgão com uma câmera;
- colonoscopia, utilizada quando há suspeita de envolvimento intestinal na dor, permitindo a avaliação do intestino grosso por dentro.
Como tratar a dismenorreia relacionada a dor pélvica crônica?
O tratamento começa com o uso de medicamentos para aliviar a dor, como analgésicos e anti-inflamatórios. Em casos mais complexos, podem ser indicados medicamentos que atuam na modulação da dor, como alguns antidepressivos e anticonvulsivantes.
Além dos medicamentos, outras abordagens ajudam no controle da dor pélvica crônica e dismenorreia, como fisioterapia pélvica para relaxamento muscular, atividade física regular e acompanhamento psicológico.
Quando existe uma causa específica identificada, como endometriose ou adenomiose, o tratamento também precisa ser direcionado a essa condição para reduzir as crises e a dor a longo prazo.
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Fontes
Referências:
The Journal of Pain. 2021. Li R, Kreher DA, Jusko TA, et al.


