Essa anomalia congênita do desenvolvimento da vagina é tratada com cirurgia reconstrutiva ou com dilatadores vaginais, a depender do caso
A malformação vaginal é uma condição congênita (ou seja, presente desde o nascimento) e resultante de alterações no desenvolvimento embrionário ainda durante a gestação. Essas anomalias podem comprometer parcialmente ou totalmente a formação e o funcionamento da vagina, do útero e de outras estruturas do sistema reprodutor feminino.
Nem sempre uma malformação vaginal é percebida logo após o nascimento. Em muitos casos, o diagnóstico só acontece na adolescência, quando surgem sinais como ausência de menstruação, dores pélvicas, dificuldades nas relações sexuais ou problemas para engravidar.
O que causa uma malformação vaginal?
As causas da malformação vaginal ainda não são totalmente compreendidas, mas é sabido que diversos fatores influenciam o desenvolvimento anormal dos órgãos reprodutivos. Entre as principais explicações, estão as falhas na diferenciação dos ductos müllerianos durante a formação fetal.
Os ductos müllerianos são estruturas presentes no embrião que, ao longo do desenvolvimento, se transformam no útero, nas tubas uterinas, no colo do útero e em parte da vagina. Quando esses ductos não se formam corretamente, o resultado pode ser uma malformação vaginal, afetando a anatomia da vagina e o funcionamento do sistema reprodutivo.
Dessa forma, a influência hormonal também desempenha um papel fundamental nesse processo. A ausência, a deficiência ou o excesso de determinados hormônios durante as fases críticas do desenvolvimento fetal podem comprometer a formação adequada dos órgãos do sistema reprodutor.
Quais são os tipos de malformações vaginais?
A malformação mülleriana pode afetar diferentes partes do sistema genital, tanto internas quanto externas. Entre as condições mais comuns, estão as malformações uterinas, que ocorrem devido a falhas na fusão ou na recanalização dos ductos müllerianos, resultando em transformações na anatomia do útero, como útero septado ou bicorno.
Outra malformação mülleriana conhecida é a agenesia vaginal, que consiste na ausência parcial ou total da vagina. Nesses casos, a mulher pode nascer sem o canal vaginal ou com apenas uma parte da vagina, o que pode afetar a vida sexual e a menstruação, dependendo do grau do problema.
As malformações vaginais também podem incluir os septos vaginais, que são membranas de tecido que dividem o canal vaginal (podendo ser longitudinais, quando separam a vagina em duas metades paralelas; ou transversais, formando uma barreira para penetração e saída do fluxo menstrual).
Por fim, também pode ocorrer a fusão ou a duplicação vaginal, que é quando a pessoa nasce com duas vaginas ou com uma vagina duplicada.
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Principais sintomas de malformação vaginal na mulher
Nem sempre uma malformação vaginal provoca sintomas evidentes, sendo muitas vezes diagnosticada em exames de imagem ou ginecológicos de rotina.
Alguns sinais incluem:
- Ausência menstrual;
- Dor pélvica;
- Dificuldades nas relações sexuais;
- Infertilidade;
- Ambiguidade genital;
- Infecções ginecológicas de repetição;
- Incontinência urinária;
- Dor para ter relação sexual;
- Mau cheiro na vagina.
Como é feito o diagnóstico de uma malformação vaginal?
Identificar uma malformação vaginal pode ser difícil, especialmente quando os sinais não são aparentes no nascimento, mas o diagnóstico costuma envolver:
- Histórico clínico: avaliação dos sintomas, como dor pélvica, ausência de menstruação ou dificuldade para engravidar;
- Exame ginecológico: análise dos genitais externos e verificação de possíveis anormalidades ou de ausência da abertura vaginal;
- Ultrassonografia transvaginal ou pélvica: exame que permite visualizar a anatomia do útero, dos ovários e da vagina;
- Ressonância magnética: indicada em casos mais complexos ou quando a ultrassonografia não fornece imagens conclusivas.
Existem tratamentos para malformações vaginais?
O tratamento depende da condição. No caso da agenesia vaginal, uma das opções é a dilatação vaginal, procedimento em que dilatadores são usados para expandir gradualmente o canal vaginal. Em casos mais complexos, pode ser necessária a cirurgia reconstrutiva para restaurar a função e a anatomia.
Em pacientes com septos vaginais, a cirurgia consiste na remoção do septo e na reconstrução do canal vaginal. Quando a malformação vaginal é o hímen imperfurado, realiza-se um procedimento para abrir essa membrana e permitir a passagem do fluxo menstrual. A vagina dupla pode ser submetida à cirurgia para unificar o canal vaginal.
A malformação vaginal impede a menstruação?
Algumas formas de malformação vaginal podem dificultar ou até impedir a saída do sangue menstrual, o que pode parecer que a menstruação não ocorre. Nesses casos, o sangue produzido pelo útero durante o ciclo menstrual fica retido, resultando em uma condição chamada de “amenorreia obstrutiva”. Ou seja, a menstruação acontece, mas não consegue sair do corpo.
Isso ocorre quando o hímen não apresenta abertura e quando a vagina está ausente. O acúmulo de sangue pode causar dores intensas na região pélvica e aumentar o risco de problemas sérios, como a endometriose, que é o crescimento do tecido uterino fora do útero.
As malformações vaginais causam infertilidade?
Nem todos os tipos de malformação vaginal levam à infertilidade, mas algumas podem impactar a capacidade de engravidar. Malformações que afetam o útero e as tubas uterinas ou que bloqueiam a comunicação entre essas estruturas podem dificultar uma gravidez de forma natural.
Nessas situações, a malformação bloqueia a passagem do espermatozoide até o óvulo ou compromete o ambiente necessário para a implantação do embrião. No entanto, muitas mulheres com malformações vaginais conseguem engravidar normalmente ou com tratamentos médicos e técnicas de reprodução assistida.
A malformação vaginal tem cura?
Embora nem sempre seja possível corrigir completamente a malformação, existem tratamentos eficazes que podem restaurar a anatomia e a função da região genital, possibilitando uma vida sexual saudável e, em alguns casos, a gravidez.
O tratamento varia conforme o tipo e a gravidade da malformação, mas geralmente pode incluir:
- Cirurgia para correção anatômica, que cria ou desobstrui o canal vaginal e corrige malformações do útero ou de outras estruturas;
- Técnicas de dilatação vaginal;
- Métodos de reprodução assistida, como inseminação artificial ou fertilização in vitro, para quem apresenta dificuldade para engravidar.
Qual profissional procurar em casos de malformação vaginal?
Ao perceber sinais ou suspeitar de uma malformação vaginal, o primeiro passo é procurar uma ginecologista especializada em alterações na região genital feminina. Em casos mais complexos, o acompanhamento pode envolver uma equipe multidisciplinar, que inclui profissionais como:
- Cirurgiãs ginecológicas;
- Urologistas (em casos com envolvimento do sistema urinário);
- Psicólogas ou terapeutas sexuais;
- Especialistas em fertilidade.
Entre em contato com a Dra. Priscila Matsuoka para agendar a sua consulta!
Fontes:
Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (American Society for Reproductive Medicine)
ASRM müllerian anomalies classification 2021 (page 2 of 2) – UpToDate


