O tratamento varia conforme a causa e pode incluir cateterização, medicamentos, procedimentos e terapias para restaurar o esvaziamento da bexiga
A retenção urinária é uma condição em que a bexiga não consegue se esvaziar completamente, mesmo estando cheia, o que pode causar desconforto, sensação de bexiga sempre cheia e dificuldade para urinar.
Essa condição afeta homens e mulheres e se manifesta tanto de forma súbita, com incapacidade total de urinar, quanto de maneira progressiva, com jato fraco e esvaziamento incompleto.
Entender os sinais, as causas e as opções de tratamento para retenção urinária é o primeiro passo para buscar ajuda e evitar que o problema se agrave.
O que causa a retenção urinária?
Entre as principais causas da retenção urinária estão bloqueios no fluxo da urina, como pedras, estreitamento da uretra ou tumores. O uso de alguns medicamentos também pode interferir no funcionamento da bexiga e dos esfíncteres, dificultando a eliminação da urina.
Além disso, problemas neurológicos que afetam a comunicação entre o cérebro e a bexiga, assim como infecções urinárias, podem levar à retenção. Em alguns casos, a condição também pode surgir temporariamente após cirurgias.
Como funciona o tratamento para a retenção urinária?
O tratamento para retenção urinária é definido a partir da causa do problema e da intensidade dos sintomas. Em alguns casos, a prioridade é aliviar rapidamente a bexiga, enquanto em outros o foco está em tratar a origem da dificuldade para urinar.
Abordagens iniciais para alívio imediato
Quando há impossibilidade de urinar, o tratamento para retenção urinária começa com a retirada da urina acumulada por meio de um cateter, chamado sonda vesical de alívio. Esse procedimento reduz o desconforto e evita complicações mais graves. Se a passagem pela uretra não for possível, a drenagem da bexiga pode ser feita diretamente pela região inferior do abdômen, com anestesia local ou sedação, chamada cistostomia
Tratamento medicamentoso
Em quadros menos intensos, em que ocorre o esvaziamento incompleto da bexiga, o tratamento para retenção urinária pode envolver o uso de medicamentos. Eles atuam facilitando o esvaziamento da bexiga ou reduzindo fatores que dificultam a saída da urina.
Cateterismo intermitente limpo
O cateterismo intermitente limpo é uma técnica utilizada para esvaziar a bexiga quando a pessoa não consegue urinar completamente sozinha. O procedimento consiste em introduzir uma pequena sonda pela uretra até a bexiga para retirar a urina e, em seguida, remover a sonda.
Esse procedimento é realizado em condições de higiene, com as mãos bem lavadas, utilizando uma sonda limpa e lubrificada. Não é necessário um ambiente estéril como o de um centro cirúrgico.
Atualmente, o cateterismo intermitente limpo é considerado a melhor opção para pessoas que precisam esvaziar a bexiga regularmente por longos períodos. Quando comparado à sonda que permanece continuamente na bexiga (sonda de demora), ele apresenta menor risco de infecções urinárias, reduz as chances de complicações futuras e proporciona mais conforto e qualidade de vida ao paciente.
Intervenções cirúrgicas e procedimentos
Quando a retenção urinária está relacionada a alterações estruturais, o tratamento para retenção urinária pode incluir procedimentos para desobstruir ou melhorar o funcionamento do trato urinário.
Em casos de estreitamento da uretra, por exemplo, podem ser realizadas técnicas para dilatar o canal urinário e facilitar a passagem da urina, geralmente por meio de procedimentos minimamente invasivos.
Já quando há alterações nas estruturas pélvicas, como perda de sustentação dos órgãos no casos dos prolapsos genitais, o tratamento para retenção urinária pode envolver cirurgias reconstrutivas. Essas intervenções reposicionam órgãos como a bexiga ou o útero, ajudando a restabelecer a função urinária.
De forma geral, os procedimentos são indicados quando outras abordagens não são suficientes, sempre com o objetivo de tratar a causa da retenção e melhorar a qualidade de vida da paciente.
Neuromodulação e terapias de reabilitação
Nos casos de retenção urinária crônica sem fator obstrutivo, o tratamento para retenção urinária pode incluir abordagens que atuam no controle neurológico da bexiga. A neuromodulação sacral é uma dessas opções e funciona por meio de estímulos elétricos leves que ajudam a regular a comunicação entre o cérebro e os nervos responsáveis pela micção.
A neuromodulação sacral pode contribuir para melhorar o funcionamento da bexiga e o controle urinário, sendo uma alternativa reversível, que pode ser ajustada ou interrompida conforme a necessidade em casos de falha do tratamento conservador.
No entanto, o tratamento para retenção urinária com neuromodulação sacral não é indicado para casos causados por obstruções e nem é eficaz para todos os tipos de retenção, sendo necessário avaliação médica para indicar sua aplicação.
É importante salientar que mesmo na vigência do tratamento com neuromodulador sacral, os pacientes deverão realizar cateterismo intermitente limpo para esvaziamento vesical em associação para completo esvaziamento vesical.
Além disso, as terapias de reabilitação, como a fisioterapia pélvica, também podem fazer parte do tratamento para retenção urinária. Essas técnicas ajudam a relaxar a musculatura da região, melhorando o controle urinário e facilitando o esvaziamento da bexiga.
Mudanças no estilo de vida para melhorar a retenção urinária
Alguns hábitos do dia a dia podem ajudar no tratamento para retenção urinária, principalmente em quadros leves ou como complemento a outras abordagens. Essas medidas também contribuem para prevenir o agravamento dos sintomas.
As mudanças de estilo de vida para retenção urinária focam principalmente em técnicas de esvaziamento vesical, modificação da ingestão de líquidos e treinamento vesical. Essas intervenções conservadoras podem ser eficazes, especialmente para retenção crônica ou esvaziamento vesical incompleto.
Técnicas para esvaziar melhor a bexiga
Uma estratégia bastante simples é a dupla micção. Ela consiste em urinar normalmente e, após cerca de 30 segundos, tentar urinar novamente. Isso pode ajudar a eliminar a urina que ficou na bexiga e reduzir a sensação de esvaziamento incompleto.
Também é importante evitar o consumo excessivo de líquidos ao longo do dia, pois uma bexiga muito cheia pode dificultar ainda mais o seu funcionamento adequado.
Cuidados com a ingestão de líquidos
Beber água é fundamental para a saúde, mas o excesso pode aumentar os sintomas urinários. Em geral, recomenda-se evitar ingerir grandes quantidades de líquidos sem necessidade e reduzir a ingestão algumas horas antes de dormir, para diminuir a necessidade de acordar à noite para urinar.
Além disso, bebidas que contêm cafeína (como café, chá-preto, chá-mate e alguns refrigerantes) e bebidas alcoólicas podem irritar a bexiga e aumentar a produção de urina, devendo ser consumidas com moderação.
Treinamento da bexiga e exercícios
Algumas pessoas se beneficiam do treinamento vesical, que consiste em criar uma rotina para urinar em horários programados, por exemplo, a cada 1 hora e meia ou 2 horas, mesmo sem sentir vontade.
Os exercícios do assoalho pélvico, conhecidos como exercícios de Kegel, também podem ajudar a melhorar o controle da bexiga e a coordenação dos músculos envolvidos na micção.
Em alguns casos, a fisioterapia do assoalho pélvico pode ser indicada. O tratamento inclui exercícios específicos, técnicas de respiração, relaxamento muscular e orientação para melhorar o funcionamento da bexiga e da musculatura da região pélvica.
Qual profissional trata a retenção urinária?
O tratamento para retenção urinária deve ser indicado após a paciente passar por uma avaliação urológinecológica completa, que investiga as causas e define a conduta adequada.
Nas mulheres, a uroginecologista tem um papel fundamental nesse cuidado, já que é a especialista que avalia alterações do assoalho pélvico, distúrbios urinários e condições ginecológicas que podem interferir no esvaziamento da bexiga.
A Dra. Priscila Matsuoka é ginecologista com especialização em uroginecologia pela USP, área dedicada ao cuidado das disfunções do assoalho pélvico e do trato urinário feminino, atuando com foco em abordagens individualizadas e unindo experiência clínica e cirúrgica para promover mais qualidade de vida às pacientes.
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Fontes


