A dor na endometriose pode ser nociceptiva, nociplástica ou neuropática, cada tipo com origem e características diferentes
A dor é um dos principais sintomas da endometriose e um dos que mais impactam a qualidade de vida. Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, ela não se resume às cólicas menstruais intensas. O desconforto pode surgir em diferentes momentos do ciclo menstrual, em diversas regiões do corpo e variar de intensidade.
Isso acontece porque a endometriose é uma doença inflamatória crônica caracterizada pelo crescimento de tecido semelhante ao endométrio fora do útero. Dependendo da localização das lesões e da resposta do organismo, a dor na endometriose apresenta características diferentes.
A seguir, entenda quais são os principais tipos de dor na endometriose, quanto tempo as crises podem durar, como aliviar os sintomas e quando é o momento de procurar uma ginecologista especialista.
A dor é o principal sintoma da endometriose?
A dor na endometriose costuma ser o principal motivo que leva as mulheres ao atendimento médico. A intensidade dos sintomas nem sempre está relacionada à extensão da doença. Algumas pacientes apresentam poucas lesões, mas sentem dores intensas, enquanto outras possuem lesões mais extensas e apresentam poucos sintomas.
Quais são os tipos de dor na endometriose?
A dor na endometriose pode ter diferentes causas. Uma mesma paciente pode apresentar mais de um tipo de dor ao mesmo tempo, o que explica por que algumas mulheres continuam sentindo dor mesmo após o tratamento das lesões. A seguir, entenda as características de cada forma.
Dor nociceptiva
A dor nociceptiva é a forma mais comum da dor na endometriose. Ela ocorre quando o processo inflamatório provocado pelas lesões estimula receptores responsáveis por identificar lesões nos tecidos.
Normalmente, é uma dor localizada, que causa:
- cólicas menstruais intensas;
- dor pélvica;
- desconforto durante as relações sexuais;
- dor ao evacuar e urinar quando há comprometimento do intestino ou da bexiga.
Ainda que esteja presente em outros momentos, a dor nociceptiva costuma se intensificar durante a menstruação, quando as lesões também sofrem influência das alterações hormonais.
Dor nociplastica
Na dor nociplástica, o problema não está apenas nas lesões da endometriose, mas também na maneira como o cérebro e o sistema nervoso processam os sinais dolorosos. A dor nociplástica na endometriose resulta de alteração da percepção dolorosa no sistema nervoso central, e não de dano tecidual direto ou de lesão nervosa localizada pode manifestar-se como dor corporal difusa, fadiga, dificuldades de memória e sono ruim..
Com o passar do tempo, episódios repetidos de dor na endometriose podem tornar o sistema nervoso mais sensível. Como consequência, estímulos que normalmente causariam pouco desconforto passam a ser percebidos como muito dolorosos.
Nesses casos, a paciente pode apresentar dor pélvica persistente, sensação de dor difusa e hipersensibilidade, mesmo quando a atividade inflamatória da doença está controlada.
Dor neuropatica
A dor neuropática acontece quando nervos são comprimidos, infiltrados ou lesionados pelas lesões da endometriose. Esse tipo de dor na endometriose costuma ser descrito como:
- queimação;
- pontadas;
- choques;
- formigamento;
- sensação de dormência;
- dor irradiada para pernas, região lombar ou períneo.
Como está relacionada ao comprometimento do sistema nervoso, nem sempre os analgésicos convencionais são suficientes para controlá-la, sendo necessário realizar tratamentos específicos.
Quanto tempo dura a crise de endometriose?
A duração da crise varia de uma mulher para outra e depende de fatores como a localização das lesões, a intensidade da inflamação e o tipo de dor predominante.
Em muitas pacientes, a dor começa um ou dois dias antes da menstruação, intensifica-se durante o período menstrual e melhora gradualmente após o fim do fluxo. No entanto, algumas mulheres podem apresentar dor por mais tempo ou até mesmo sintomas persistentes ao longo do mês.
Como aliviar a dor da endometriose na hora da crise?
Algumas medidas podem ajudar a reduzir temporariamente a dor na endometriose, como:
- utilizar compressas mornas na região inferior do abdômen;
- manter repouso quando necessário;
- medicamentos de escala analgésica prescrita pela ginecologista;
- ostepatia;
- medicamentos para dor crônica;
- fisioterapia
- reforçar o tratamento de base;
- Adjuvantes para componente neuropático e central: anticonvulsivantes (gabapentina, pregabalina) e antidepressivos são indicados quando há sensibilização central ou neuropatia associada,
- manter acompanhamento médico para controle da doença.
Quando procurar uma ginecologista especialista em endometriose?
Quando a dor interfere na rotina, piora a cada ciclo menstrual ou vem acompanhada de outros sintomas, é importante buscar uma avaliação especializada.
Procure uma ginecologista se você sentir:
- cólicas menstruais intensas que dificultam ou impedem as atividades do dia a dia;
- dor durante as relações sexuais;
- dor ao evacuar ou urinar, especialmente durante a menstruação;
- dor pélvica persistente, mesmo fora do período menstrual;
- alterações intestinais ou urinárias que se repetem durante o ciclo menstrual;
- dificuldade para engravidar;
- necessidade frequente de analgésicos para aliviar as cólicas.
O diagnóstico precoce permite identificar a causa dos sintomas e iniciar o tratamento mais adequado para controlar a dor e reduzir o impacto da doença na qualidade de vida.
Entre em contato com a Dra. Priscila Matsuoka para agendar sua consulta!
Fontes
Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia


