Acontece quando o equilíbrio natural da flora vaginal é alterado, permitindo o crescimento de fungos e bactérias que causam novos episódios
As infecções vaginais de repetição estão entre as queixas mais frequentes nos consultórios ginecológicos. Quando uma mulher apresenta episódios recorrentes de coceira, corrimento, ardência ou alteração do odor vaginal, é importante investigar por que esse problema continua acontecendo.
A vagina possui uma microbiota própria, formada principalmente por bactérias benéficas que ajudam a manter o equilíbrio da região íntima e dificultam o crescimento excessivo de fungos e bactérias. Quando essa proteção natural sofre alterações, podem surgir as infecções vaginais de repetição, como a candidíase recorrente e a vaginose de repetição
A seguir, entenda quais são as principais causas e quais cuidados ajudam a prevenir novos episódios.
O que caracteriza uma infecção vaginal de repetição?
As infecções vaginais de repetição acontecem quando os sintomas retornam diversas vezes ao longo do tempo, mesmo após a realização do tratamento indicado.
De forma geral, considera-se recorrente quando a mulher apresenta três ou mais episódios de infecção vaginal dentro de um período de 12 meses.
Quais as infecções vaginais de repetição mais comuns?
As infecções vaginais de repetição mais comuns estão relacionadas ao desequilíbrio da microbiota vaginal e incluem:
Candidíase de repetição
Acontece quando há um crescimento excessivo de fungos, principalmente da espécie Candida albicans. Geralmente, provoca sintomas como:
- coceira intensa na região íntima;
- ardência vaginal;
- vermelhidão e irritação;
- desconforto durante as relações sexuais;
- corrimento branco e mais espesso.
Vaginose bacteriana
Ocorre quando há uma redução dos lactobacilos, que são bactérias benéficas responsáveis pela proteção vaginal, permitindo o aumento de outros microrganismos.
A vaginose de repetição pode causar sintomas como:
- aumento de corrimento;
- odor vaginal forte, principalmente após relações sexuais;
- sensação de desconforto na região íntima.
Infecções sexualmente transmissíveis (ISTs)
Algumas ISTs, como clamídia, gonorreia e tricomoníase, podem causar alterações vaginais persistentes ou voltar quando não são diagnosticadas e tratadas corretamente.
Os principais sinais são:
- corrimento diferente do habitual;
- ardência ao urinar;
- dor durante as relações sexuais;
- sangramento após a relação.
Quais são as causas e gatilhos que fazem o problema voltar?
As infecções vaginais de repetição podem acontecer por diferentes fatores que interferem no equilíbrio da microbiota vaginal. Entre os principais gatilhos estão:
- desequilíbrio da microbiota vaginal, com a redução das bactérias benéficas facilitando o crescimento excessivo de fungos e bactérias;
- uso frequente de antibióticos, que podem eliminar microrganismos importantes para a proteção vaginal;
- alterações hormonais, como variações durante o ciclo menstrual, gravidez, uso de anticoncepcionais ou menopausa, que podem modificar o ambiente vaginal e aumentar a predisposição às infecções;
- hábitos íntimos inadequados, como duchas vaginais, sabonetes com fragrâncias, uso prolongado de roupas apertadas e tecidos pouco respiráveis que podem irritar a região íntima e alterar o pH vaginal;
- condições de saúde, como diabetes sem controle adequado, baixa imunidade e algumas doenças crônicas podem reduzir as defesas do organismo;
- relações sexuais sem proteção ou com pouca lubrificação, já que o atrito e a exposição a alguns microrganismos podem contribuir para alterações na região íntima.
Abordagens de tratamento e controle de infecções vaginais de repetição
O tratamento das infecções vaginais de repetição depende da causa identificada. A ginecologista pode indicar:
- exames para confirmar o agente causador;
- investigar o microbioma vaginal para determinar infecções concomitantes e fatores de piora;
- medicamentos antifúngicos ou antibióticos específicos;
- estratégias para recuperar o equilíbrio da microbiota vaginal;
- acompanhamento de fatores hormonais ou condições associadas.
Mudanças práticas de hábitos para prevenir novas crises
Alguns cuidados ajudam a preservar o equilíbrio da microbiota vaginal e reduzir o risco de infecções vaginais de repetição:
- evitar duchas vaginais para não alterar o pH e remover bactérias benéficas da região íntima;
- utilizar sabonetes suaves para não causar irritações;
- escolher roupas mais confortáveis e respiráveis, como roupas íntimas de algodão, melhorando a ventilação;
- evitar permanecer com roupas molhadas por muito tempo, pois o calor e a umidade favorecem a proliferação de alguns microrganismos;
- manter uma alimentação equilibrada, sono adequado e controle do estresse para contribuir para o bom funcionamento do sistema imunológico;
- utilizar preservativo nas relações sexuais para reduzir o risco de infecções sexualmente transmissíveis;
- realizar acompanhamento ginecológico regularmente para identificar alterações precocemente e orientar cuidados individualizados.
Além disso, evite a automedicação, pois sintomas semelhantes podem ter causas diferentes, dificultando o diagnóstico e favorecendo novos episódios de infecções vaginais de repetição.
Entre em contato com a Dra. Priscila Matsuoka para agendar sua consulta!
Fontes
Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia
Manual MSD


