Envolve identificar a causa e seguir tratamentos como antibióticos específicos e medidas preventivas para evitar novos episódios
A infecção urinária de repetição é caracterizada pela ocorrência de mais de três episódios de infecção urinária em um período de um ano, ou dois ou mais episódios em apenas seis meses.
Esse tipo de infecção acontece quando há proliferação anormal de bactérias, fungos ou, mais raramente, vírus em qualquer parte do sistema urinário, como bexiga, uretra ou rins.
Entender por que essas infecções aparecem, como diferenciar de outros problemas e o que pode ser feito para tratar e evitar novos episódios é importante para manter a saúde e evitar complicações.
Diferença entre infecção de repetição e infecção persistente
A infecção urinária de repetição acontece quando o paciente tem vários episódios separados de infecção ao longo de um período de seis meses ou um ano. Nesse caso, a pessoa melhora entre uma crise e outra, mas volta a ser infectada novamente. A cada novo episódio, o micro-organismo que causa a infecção pode ser diferente do anterior e a causa também pode ser diferente.
Já na infecção persistente, o agente infeccioso não é eliminado, mesmo após o tratamento. A bactéria ou o fungo permanece no organismo, causando um quadro crônico. A pessoa até pode ter períodos de melhora, mas a infecção nunca desaparece totalmente. Os sintomas voltam sempre que o organismo fica mais vulnerável. Por isso, o tratamento costuma ser mais complexo.
Causas da infecção urinária de repetição e fatores de risco
Além da proximidade anatômica entre uretra e ânus, outros elementos podem contribuir para o surgimento repetido de infecções urinárias em mulheres. Entre os fatores mais comuns estão:
- diminuição dos hormônios e ressecamento vaginal na menopausa;
- aumento da frequência de relações sexuais;
- uso de espermicidas ou diafragma;
- constipação intestinal crônica, que favorece a multiplicação de bactérias;
- prolapso genital da bexiga;
- incontinência urinária;
- resíduo pós-miccional aumentado;
- doenças como diabetes, que altera a resposta imune do organismo;
- segurar a urina por muito tempo, criando um ambiente favorável para que os microrganismos se multipliquem.
Sintomas da infecção urinária de repetição
Os sintomas da infecção urinária de repetição são praticamente os mesmos de uma infecção urinária comum. A paciente costuma relatar:
- ardor ao urinar;
- urgência para ir ao banheiro;
- dor ou desconforto no baixo ventre;
- sensação de esvaziamento incompleto da bexiga;
- urina turva e com cheiro ruim.
Quando a infecção urinária se torna preocupante?
Embora muitos episódios sejam simples e respondam bem ao tratamento, a infecção urinária de repetição pode evoluir para quadros mais sérios. Ela se torna preocupante quando surgem manifestações intensas, como:
- febre alta;
- calafrios;
- dor forte na região lombar ou no abdômen;
- náuseas e vômitos;
- confusão mental;
- sangue visível na urina.
Esses sinais sugerem que a infecção avançou da bexiga para os rins, causando um quadro chamado pielonefrite. Quando isso acontece, o risco de complicações sérias aumenta, como uma infecção espalhada pelo corpo, chamada de sepse, e prejuízos na função dos rins.
Como é realizado o diagnóstico?
Para diagnosticar a infecção urinária de repetição, é necessário avaliar o histórico do paciente, investigando quantas infecções ocorreram, com que frequência e quais sintomas aparecem em cada episódio.
Depois, são feitos exames de urina, como o urina tipo 1 e a urocultura com antibiograma. O exame de urina mostra se há sinais de inflamação ou presença de bactérias, enquanto a urocultura identifica qual microrganismo está causando a infecção e se há resistência bacteriana a antibióticos. Essa avaliação é essencial para definir o tratamento mais adequado. Além disso, é importante sempre realizar a urocultura, pois, muitas vezes o paciente apresenta sintomas semelhantes a infecção mas não tem bactéria na urina, sendo portanto necessário investigar outras causas para sintomas relatados.
Em algumas situações, o paciente também pode realizar ultrassom ou outros exames de imagem. Eles ajudam a verificar se existe alguma alteração anatômica, como cálculos, obstruções ou alterações no trato urinário, que esteja favorecendo o aparecimento das infecções.
Tratamento da infecção urinária de repetição
O tratamento da infecção urinária de repetição não se limita a resolver o episódio que está acontecendo. É preciso identificar o que está causando a recorrência para evitar que o problema continue retornando.
Quando o ressecamento vaginal é identificado como um fator desencadeante, comum após a menopausa, podem ser usados cremes hormonais ou tratamentos a laser. Essas abordagens ajudam a restaurar a mucosa vaginal e equilibrar a flora local, diminuindo o risco de novas infecções.
Em alguns casos, a médico pode indicar imunoprofilaxia, que estimulam o sistema imunológico e reduzem a frequência das infecções. Outra opção é o uso de antibiótico em baixa dose por um período prolongado, chamada de antibioticoprofilaxia, sempre com acompanhamento médico rigoroso.
Como prevenir a IUR?
Mudanças de hábitos são fundamentais para reduzir o risco de novos episódios da infecção urinária de repetição. Algumas medidas importantes incluem:
- higiene adequada após urinar, evacuar e após relações sexuais;
- beber bastante água ao longo do dia;
- evitar prender a urina;
- urinar antes e depois do sexo;
- evitar roupas muito apertadas e tecidos sintéticos;
- manter alimentação rica em fibras para regular o intestino;
- evitar produtos íntimos com perfume ou substâncias irritantes;
- tratar corretamente o ressecamento vaginal após a menopausa;
- fazer profilaxia com ou sem antibióticos.
Qual profissional realiza o diagnóstico e tratamento da IUR
O diagnóstico e o tratamento da infecção urinária de repetição devem ser acompanhados por uma médica especializada. Uma ginecologista com experiência em problemas do trato urinário feminino, especialmente uma profissional de uroginecologia, é uma especialista mais indicada para conduzir o caso.
Entre em contato com a Dra. Priscila Matsuoka para agendar sua consulta!
Fontes
Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia


