Essa condição altera o enchimento e esvaziamento da bexiga, causando sintomas como urgência, frequência aumentada e incontinência
A disfunção do trato urinário inferior (DTUI) é caracterizada por alterações no funcionamento normal da bexiga e da uretra durante o armazenamento e a eliminação da urina. Ainda que seja mais comum em crianças, a condição pode afetar pessoas de todas as idades, inclusive mulheres adultas.
A seguir, conheça as possíveis causas, os sintomas, como é feito o diagnóstico e as formas de tratamento da DTUI.
O que é a disfunção do trato urinário inferior (DTUI)?
A disfunção do trato urinário inferior (DTUI) é uma condição funcional caracterizada por alterações no padrão normal de enchimento e esvaziamento da bexiga.
Ou seja, em vez de o músculo da bexiga se contrair e o esfíncter urinário relaxar de forma sincronizada apenas no momento adequado da micção, a bexiga pode se contrair antes de estar cheia, causando escapes de urina, ou o esfíncter pode permanecer contraído quando deveria relaxar, dificultando o esvaziamento adequado.
Essas alterações podem provocar uma vontade súbita de urinar, levando a paciente a tentar segurar a urina para evitar perdas ou, quando há dificuldade para esvaziar a bexiga, a realizar esforço abdominal, resultando em esvaziamento incompleto e retenção urinária.
Possíveis causas e relações da DTUI
Na mulher adulta, a disfunção do trato urinário inferior costuma ter várias causas, incluindo alterações musculares, hormonais, neurológicas e comportamentais.
Entre os músculos envolvidos, os do assoalho pélvico são especialmente importantes, pois sustentam a bexiga, o útero e o reto e ajudam a controlar a urina. Quando esses músculos ficam fracos ou descoordenados, devido a fatores como gestação, parto vaginal, sedentarismo, obesidade, dor pélvica crônica, envelhecimento ou problemas neurológicos, podem surgir problemas miccionais.
Outras causas incluem a bexiga hiperativa, caracterizada por contrações involuntárias do músculo detrusor durante o enchimento, a constipação intestinal, que pressiona a bexiga e atrapalha seus reflexos, e hábitos como segurar a urina por muito tempo ou urinar constantemente por precaução.
Sintomas da disfunção do trato urinário inferior
A disfunção do trato urinário inferior pode se manifestar por diferentes sinais e sintomas, que variam de acordo com a fase do funcionamento da bexiga:
Sintomas de armazenamento (Enchimento)
Durante a fase de enchimento, a bexiga deve se expandir de forma progressiva, sem contrações involuntárias, permitindo o armazenamento adequado da urina até o momento certo da micção. Quando há alteração nesse processo, podem surgir:
- urgência urinária;
- aumento da frequência urinária;
- noctúria;
- incontinência urinária de urgência;
- incontinência urinária de esforço.
Sintomas de esvaziamento (Micção)
Na fase de micção, é esperado que ocorra contração coordenada da bexiga com relaxamento adequado do esfíncter uretral, permitindo o esvaziamento completo. Quando essa coordenação está comprometida, podem surgir:
- dificuldade para iniciar a micção;
- jato urinário fraco;
- interrupção do fluxo urinário;
- sensação de esvaziamento incompleto da bexiga;
- necessidade de fazer esforço abdominal para urinar.
Como o diagnóstico é realizado?
O diagnóstico da disfunção do trato urinário inferior começa com uma conversa detalhada sobre os sintomas urinários, incluindo duração, frequência e impacto, além de fatores associados, como hábitos intestinais, uso de medicamentos, cirurgias prévias e histórico de infecções urinárias.
Um dos principais recursos é o diário miccional, um registro feito pela própria paciente durante três dias, anotando horários das micções, volume aproximado de urina, ingestão de líquidos e episódios de urgência ou perdas urinárias e dor associada. Caso faça cateterismo limpo intermitente, o volume de urina cateterizado deve ser anotado. Esse acompanhamento ajuda a identificar padrões, como aumento da frequência, despertares noturnos ou perdas em determinados momentos do dia.
Em alguns casos, pode ser indicado o estudo urodinâmico, exame que avalia o funcionamento da bexiga e da uretra, medindo as pressões internas durante o enchimento e o esvaziamento. Ele identifica contrações involuntárias do músculo da bexiga, alterações na capacidade de armazenamento e dificuldades na coordenação entre a contração da bexiga e o relaxamento do esfíncter.
Qual o tratamento para disfunção do trato urinário inferior?
O tratamento da disfunção do trato urinário inferior costuma começar com mudanças comportamentais e orientação sobre hábitos miccionais, podendo incluir a organização de horários regulares para urinar, ajustes na ingestão de líquidos ao longo do dia e a redução do consumo de substâncias que irritam a bexiga, como cafeína e álcool.
O tratamento da constipação intestinal é fundamental, pois o funcionamento do intestino interfere na função da bexiga. Além disso, o fortalecimento do assoalho pélvico com exercícios específicos é importante especialmente em casos de incontinência urinária de esforço, ajudando a melhorar o suporte da uretra e o controle urinário.
Em casos de bexiga hiperativa, existem medicamentos que reduzem as contrações involuntárias da bexiga e ajudam a controlar sintomas como urgência e aumento da frequência urinária. Em situações específicas e mais persistentes, podem ser indicadas terapias como fisioterapia pélvica com biofeedback, cateterismo limpo intermitente, neuromodulação ou, em alguns casos, procedimentos cirúrgicos.
A importância do acompanhamento médico especializado
A disfunção do trato urinário inferior deve ser acompanhada por uma uroginecologista experiente, para garantir um diagnóstico preciso, a escolha do tratamento mais adequado e o monitoramento da evolução dos sintomas, permitindo ajustes quando necessário.
A Dra. Priscila Matsuoka é ginecologista especializada em uroginecologia, qualificada para tratar alterações genitourinárias e outras condições relacionadas ao útero, reto, intestino e bexiga, atuando em toda a região do baixo abdômen feminino, incluindo a disfunção do trato urinário inferior.
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